Declaração de abertura dos povos indígenas na COP30, em Belém, Brasil

A declaração a seguir foi elaborada pelo Fórum Internacional dos Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas (IIPFCC) e lida por Rayane Xipaiaem 11 de novembro de 2025, durante a sessão plenária de abertura da COP30 da UNFCCC.


Comemoramos esta primeira COP realizada na Amazônia. No entanto, a falta de compromisso e de ambição por parte das Partes nos levou a pontos de inflexão irreversíveis.

A Presidência chama isso de COP da implementação, mas ainda vivemos a colonização em nossos territórios, com a expansão dos combustíveis fósseis — inclusive na Amazônia —, a mineração de minerais de transição, o comércio de carbono, o agronegócio, a energia nuclear e a extração de urânio, a geoengenharia e as infraestruturas de energia renovável em grande escala. Isso perpetua conflitos, deslocamentos, destruição e contaminação de nossos lugares sagrados, bem como a perseguição, a criminalização e o assassinato de nossos parentes.

Exigimos que todas as ações climáticas sejam realizadas com total respeito aos direitos dos Povos Indígenas, incluindo nosso direito à autodeterminação, ao Consentimento Livre, Prévio e Informado e à proteção das terras, águas e territórios.

Portanto, fazemos as seguintes recomendações:

  • O Programa de Trabalho para uma Transição Justa deve respeitar os padrões internacionais de direitos humanos, incluindo a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP), proteger explicitamente os povos indígenas em isolamento voluntário e em contato inicial, e reparar os impactos do modelo extrativista.

  • Garantir acesso direto, flexível e culturalmente adequado a todas as formas de financiamento climático, levando em conta nossos próprios mecanismos financeiros.

  • Garantir representação e participação plenas e efetivas em todos os processos de tomada de decisão, segurança jurídica de nossos territórios, estruturas de governança e sistemas de conhecimento, especialmente nesta COP, nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e nos Planos Nacionais de Ação (NAPs).

  • Reconhecer as contribuições das mulheres, dos jovens e das pessoas com deficiência indígenas para as ações climáticas e garantir sua participação significativa.

Esta é uma COP indígena, e nós somos titulares de direitos e protetores de nosso conhecimento. Precisamos de resultados concretos que incluam nossa sabedoria e nossa ciência. Isso não é opcional; é fundamental para nossa sobrevivência coletiva.

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