Acompanhe nossa equipe na 29ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC COP29), em Baku, no Azerbaijão.
Não nos escapa a cooptação de palavras como “reconciliação” para criar uma falsa sensação de progresso por parte de Estados coloniais como o Canadá. Se quisermos abordar de forma significativa a “reconciliação” no contexto da economia, ela precisa ser liderada pelos povos indígenas e exige uma mudança verdadeira e sistêmica. Isso, então, levanta a questão: será que o Canadá é mesmo capaz de uma reconciliação econômica com as comunidades indígenas?
Para divulgação imediata, 6 de novembro de 2024 — A Indigenous Climate Action (ICA) enviará uma delegação a Baku para participar da Conferência das Partes (COP29) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) de 2024.
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O que é a UNFCCC e a COP29?
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) é uma resposta internacional às mudanças climáticas. Trata-se de um acordo entre 198 Estados-nação que define as obrigações relativas ao combate às mudanças climáticas. Foi assinada na Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro, em 1992, e entrou em vigor em 1994.
No âmbito do processo da UNFCCC, as Nações Unidas passaram a organizar anualmente a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que funciona como a reunião formal das Partes da UNFCCC (Estados-nação) e ficou conhecida como Conferências das Partes (COP). A primeira reunião foi realizada em Berlim, em 1995, conhecida como COP1. Este ano, a COP29 será realizada em Baku, no Azerbaijão, de 11 a 22 de novembro de 2024.
A UNFCCC foi criada antes da aprovação da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP); por isso, os defensores dos direitos e da soberania dos povos indígenas tiveram que trabalhar arduamente para garantir que a liderança indígena fosse ouvida no que diz respeito à criação de soluções climáticas.
Por que investir tempo e energia na COP?
Como uma das poucas organizações de justiça climática lideradas por indígenas ao norte da “linha da medicina”, temos a responsabilidade de nos mantermos envolvidos, informados e ativos nos fóruns internacionais onde os líderes coloniais globais estão negociando planos e ações que afetam diretamente nossas vidas, nossos direitos e nossa cultura. Em resumo, nenhuma decisão sobre nós sem a nossa participação.
Historicamente, esses espaços têm tratado os povos indígenas como partes interessadas sem mais direitos do que as organizações não governamentais ambientais (ONGA), apesar de décadas de contestação jurídica e de declarações da ONU que defendem o contrário.
Em contrapartida, o setor de petróleo e gás investe milhões para semear dúvidas sobre soluções reais e defender seus interesses corporativos, apesar de serem os principais responsáveis pelas mudanças climáticas.
Ao longo das últimas três décadas, os povos indígenas vêm promovendo algumas das políticas climáticas mais sólidas, fundamentadas em nossos direitos, língua, cultura e identidades — aprofundando uma compreensão coletiva da lei natural e da importância dos sistemas naturais vivos como elementos essenciais para a sobrevivência neste planeta.
Nos últimos seis anos, houve avanços na inclusão dos povos indígenas e de nossos conhecimentos nas políticas climáticas internacionais, mas esse processo ainda está atrasado, enquanto soluções falsas, como as compensações de carbono, e soluções técnicas de curto prazo, como a energia nuclear e a captura e armazenamento de carbono, continuam sendo promovidas, com impactos prejudiciais às nossas comunidades e às nossas vidas.

